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O que é isto?
Caixa Preta


Viva o trash: Expresso do Horror



Expresso do Horror
(Horror Express/1972)
Direção: Eugenio Martín • com: Christopher Lee (Prof. Alexander Saxton), Peter Cushing (Dr. Wells), Telly Savallas (Captain Kazan), Alberto de Mendoza (inspetor).

Esse é um daqueles filmes para assistir numa madrugada chuvosa e na companhia de um belo chocolate quente. "Expresso do Horror" é diversão pura e, por trás da aparência trash, traz um interessante roteiro e a melhor dupla de atores do cinema fantástico: Peter Cushing e Christopher Lee (sim, os caras que interpretaram Van Helsing e Drácula diversas vezes no filmes da produtora Hammer!).

Um dos motivos que faz "Expresso do Horror" se destacar entre tantos filmes B é seu conceito originalíssimo: ao invés de um casarão mal assombrado ou de um castelo cheio de vampiros, a ação se passa num trem em movimento. Para melhorar, o trajeto escolhido é o da sinistra rota transsiberiana, que liga a China à Sibéria.

A abertura do filme traz um tema assoviado que é simplesmente arrepiante e encaminha o espectador à uma cena que mostra o arqueólogo Alexander Saxton (Christopher Lee) e seus ajudantes descobrindo um fóssil numa caverna gelada, no início do século XX.

Pouco depois, na tumultuada estação de trem da Manchúria, o achado arqueológico já faz sua primeira vítima: um trombadinha chinês tenta arrombar a caixa em que o fóssil era transportado e cai morto com os globos oculares totalmente brancos e um fio de sangue escorrendo de cada olho.

Uma multidão de curiosos se aglomera e, entre eles, um monge maluco que cisma haver algo de satânico dentro da caixa. O arrogante Saxton não quer saber de crendices e enxota os curiosos, ordenando que a caixa seja acondicionada no vagão de cargas.

A viagem começa e, em poucos minutos, diversos personagens vão sendo apresentados ao espectador: um casal da nobreza russa, uma garota misteriosa, um enxadrista solitário, o severo chefe de segurança, o médico inglês Dr. Wells (Peter Cushing) e sua assistente, entre outros.

Tudo em "Expresso do Horror" é feito com certa pressa, indicando que o culpado pelo bom roteiro estar espremido em apenas uma hora e meia de filme deva ter sido mesmo o baixo orçamento.

Mal nos acostumamos com a curiosa gama de personagens e Dr. Wells já comete o erro fatal que transforma a viagem num inferno: ele suborna um funcionário do trem para descobrir o que há dentro da caixa misteriosa levada por seu compatriota britânico. O problema é que a criatura já havia descongelado e também dá cabo no funcionário corrupto. Com a sutileza de um batedor de carteiras - e isso faz sentido na história! -, o monstrengo sai do container e começa, discretamente, a fazer suas vítimas.

Mesmo com o suspense tomando conta da tela, o diretor consegue a proeza de injetar humor onde pode. Em determinado momento, o chefe de polícia (Alberto de Mendoza) insinua que o médico ou o arqueólogo poderiam estar possuídos pela besta, ao que o Doutor Wells ironicamente responde: “Ora, mas nós somos britânicos!”. Vindo da católica e reprimida Espanha do ditador Franco, Martín também usa o humor para espetar figuras de autoridade: o inspetor e o monge são notadamente os personagens mais cretinos da história! “Eu não tenho muita instrução, sou apenas um policial”, confessa o inspetor em certo diálogo com Saxton...

Um dos momentos mais alucinantes da trama acontece quando o trem faz uma parada numa estação perdida e é invadido por um grupo de cossacos (acredite: tem de tudo nesse filme!). O chefão da gangue é ninguém menos que o velho e bom Telly Savallas! O querido "Kojak" tem uma atuação pra lá de exagerada, mas parece que poucas vezes se divertiu tanto como ator. No pouco tempo em que está sob os holofotes, ele esbofeteia passageiros, desafia a besta-fera que aterroriza o trem e quase promove um massacre! É um pecado que Martín tenha dado tão pouco tempo para que Savallas contracenasse com os ingleses Lee e Cushing.

Embora tenha buracos no roteiro, presença de atores amadores e alguns diálogos realmente obtusos, o filme do espanhol é tão charmoso e cheio de nuances que dá à classificação trash um significado bem mais simpático.

"Expresso do Horror" é uma inusitada mistura de terror, ficção científica e filme de espionagem, onde a falta de verba é compensada com muita imaginação.

A primeira vez que assisti a esse filme foi na TVS (hoje SBT) numa, adivinhem, madrugada chuvosa! E de pensar que essa fita deve estar mofando em alguma prateleira da emissora de Silvio Santos…



DVD: "Expresso do Horror" foi lançado nos Estados Unidos em DVD como parte da coleção Euroshock. A qualidade é aceitável, sendo que o filme é apresentado apenas no formato tela cheia. O disco é dividido em capítulos e tem opção de áudio em inglês e espanhol, sem legendas. A embalagem é de primeira e traz um delicioso texto contando detalhes da produção.


 Escrito por Mr Eddy às 14h13
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A arte maldita de Pushead



Os fãs de rock progressivo consideram o ilustrador Roger Dean o cara mais talentoso da Terra. Foi esse inglês, hoje com 60 anos, quem criou as paisagens geladas e surrealistas vistas em diversos álbuns do Yes e de outras bandas do gênero. Só que isso aconteceu nos já longíquos anos 70, quando os artistas tinham o formato generoso das capas de LP para mostrar seus trabalhos.

Na década de 80, quando o prog-rock, para o bem ou para o mal, já estava extinto, um ilustrador underground começou a imprimir sua marca em capas de fanzines - mais notadamente na bíblia do punk, MaximumRockandRoll -, compactos e LPs. Trata-se de Pushead, que também era vocalista da banda hardcore Septic Death.

O cara criou um estilo inconfundível, com ilustrações repletas de esqueletos, globos oculares e mãos com todos os nervos expostos. Pushead produziu capas para bandas punk como Misfits, Rattus, Chaos UK, Inferno, Wasted Youth, Integrity e muitas outras.

Curiosamente, um de seus trabalhos mais reconhecíveis não está creditado em seu nome: a capa do álbum "Let's Start a War", do Exploited. Qualquer um que veja a "caveira de moicano" associa a imagem automaticamente à banda, mas pouquíssimas pessoas sabem que o autor é o mesmo cara que desenhou, por exemplo, a capa de "Animosity", clássico álbum do Corrosion of Conformity.

Em 1986 Pushead assinou o poster oficial da turnê do Metallica - "Damage Inc" -, cujo tour book era vendido na loja Woodstock Discos, de São Paulo, na mesma época e com a famosa ilustração na capa (um crânio atravessado por duas clavas cheias de espinhos).

Foi o início da associação entre o artista gráfico e o Metallica, que renderia muitos, mas muitos trabalhos: camisetas, promos, posters, anúncios, adesivos e até mesmo a capa do último CD da banda, "St. Anger". Além do Metallica, Pushead assinou capas para outros grupos de metal, como Prong ("Beg to Differ"), Hirax ("Raging Violence") e S.O.D. ("Live at the Budokan").

O estilo desse artista é uma das marcas mais facilmente associáveis ao punk/metal underground dos anos 80 e à toda a cultura de rua da época. Pushead produziu dezenas de ilustrações para os "shapes" da Zorlac Skateboards e, não raro, alguns desses trabalhos terminavam estampando também camisetas e adesivos.

Nos últimos anos, além de desenhar para o Metallica (o site da banda tem até um "skin theme" feito por ele), as criações do ex-vocalista do Septic Death vão parar em tatuagens temporárias, almofadas (!), copos de "pint", calendários e jóias. Quem aprecia esse período da música underground e da cena "skater", é um admirador, consciente ou não, da arte Pushead.

Alguns "art books" com trabalhos selecionados do ilustrador, como a série "Hyperstoic" e a coletânea "Old Skate Art", foram lançados no Japão em séries limitadas. Com sorte e muita grana você pode arrematar algumas dessas preciosidades em sites de leilão.

Para os demais mortais, recomendo uma visita a um completíssimo site de fã que disponibiliza diversos trabalhos do ilustrador organizados criteriosamente: www.pusfan.com.


 Escrito por Mr Eddy às 14h39
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